escrita irregular
sexta-feira, abril 06, 2007
  Páscoa
Em pequeno, tanto no Natal como na Páscoa, rumávamos a Almagreira, Pombal. As festas correspondiam praticamente ao mesmo ritual, saída no dia anterior, almoço perto de Coimbra (Leitão na Bairrada), encontro com os primos, brincadeira até dormir. Dois dias depois regressávamos a casa. O Domingo de Páscoa era dia de receber o compasso, que se avistava ao longe e nunca mais entrava na porta de casa da minha avó. Todos cheios de fome, mesa posta. Uma, numa sala à parte, para receber os homens da cruz e as reclamações dos descrentes.
Não era esta a única diferença entre as duas festas. A nível gastronómico a diferença, sentia-se na véspera, não era servido o bacalhau e eu já podia comer, como qualquer pessoa. A bolaria de véspera era mais apetecível que os de Natal, o que também ajudava.
A maior diferença era a nível climático, com menos chuva, por vezes frio, como este ano, na Páscoa, a casa de campo, onde vivia a minha avó, estava carregada de pó. Invariavelmente, as noites de sábado para Domingo, eram passadas com a bomba na boca. Os meus pais nervosos, não se aguentavam e lá ia eu, acompanhado pelo progenitor, para o Hospital de Pombal.
Ano após ano, até crescer um pouco e conseguir esconder a asma. Ou viver com ela, sem sobressaltos.
Já mais crescidinho, entrei no clube dos que não se levantavam para o compasso, raramente beijava a cruz, só quando o atraso era brutal e o ritual passava para a tarde.
Anos mais tarde, a partida passou a ser feita ao Domingo à noite.
As noites de sábado, passavam-se nas discotecas de Pombal. E a impressão que me causaram é de tal modo negativo, que ainda hoje considero a pior noite do ano para sair. Entretanto, o bom gosto prevaleceu e os roteiros eram melhores escolhidos e tive noites óptimas, de arrasar.
Depois vieram as férias da Páscoa, fora de casa, em autonomia. O fim de semana prolongado com fins turísticos e perdeu-se tudo.
Pelo meio perdeu-se mais...
Agora a Páscoa surge como a oportunidade de mini-férias de família, que infelizmente não consigo fazer como no tempo dos meus pais, sair uma semana, com destino a Espanha e mostrar aos meus filhos, o encanto do país vizinho.
Boa páscoa.
 
Comentários:
Sinto o mesmo saudosismo e ao mesmo tempo, a angústia do tempo, da falta dele, para conhecer mais... e, com isso, aprender,ensinar ...
Boa Páscoa!
 
Então uma Boa Páscoa e umas boas mini-férias!
Quer dizer que os teus filhos já são poupados à seca do beija-cruz. Outros tempos ...
 
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